terça-feira, 22 de maio de 2007

Pinto da Costa fala sobre Medicina Legal na UFP

3 De Maio foi o dia em que a Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa recebeu a presença do doutor José Eduardo Pinto da Costa. O professor catedrático foi o orador de uma conferência realizada num dos auditórios da UFP, destinada aos alunos do curso de Ciências da Comunicação. Os alunos presentes na conferência, naturalmente, quiseram saber o que era a medicina legal, em que consistia, quais as suas bases, etc. O professor catedrático começou por falar dos principais erros veiculados na comunicação social quando abordavam o tema da medicina legal. O maior erro apontado por si foi o facto de «se dizer que “alguém” morreu de paragem cardíaca», pois todas as mortes ocorrem quando o coração para de bater. Em jeito de incentivo aos alunos presentes, futuros jornalistas na sua maior parte, Pinto da Costa fez questão de frisar a que era importantes, para que alguns erros possam ser evitados, tirarem o curso de Medicina Legal para jornalistas. Para alem de falar dos jornalistas, O professor catedrático falou ainda dos juízes e de Direito, dizendo que «a medicina legal deveria ser mais considerada pelos juízes em juízos de matérias que envolvam questões da área da medicina legal» Pinto da costa disse ainda que a medicina legal pode ser importante « nas mais diversas expressões desde que seja criminal, direito civil, questões de paternidade, direito no trabalho, direito administrativo, qualquer forma que o Direito venha a seguir» Outra das primeiras questões abordadas por Pinto da Costa foi a Tanatologia. Por Tanatologia entende-se o estudo dos mortos. E esses não são, ao contrário do que se faz crer, os limites da medicina legal, «a medicina legal tem uma parte que é a Tanatologia e tem muitas outras coisas». Essas muitas outras coisas são, nas palavras de Pinto da Costa, «sociologia forense, psicologia forense, toxicologia forense, e muitos outros campos que as pessoas não fazem ideia». Nesta era em que as séries sobre investigação criminal estão em voga, Pinto da Costa fez questão de desmistificar um bocado o fenómeno, separando o real do irreal. Um exemplo dado por José Pinto da Costa foi o facto de «a autópsia não se realizar nos parâmetros que se vê na série, pois os médicos, normalmente, estão ensanguentados, ao contrario do que se sucede nas séries, em que os médicos estão sempre limpinhos» Ainda dentro da questão das autópsias, Pinto da Costa fez questão de esclarecer que existem dois tipos de autópsia: a autópsia clínica, que não se realiza sem a autorização da família, e a autópsia médico-legal, em que os médicos suspeitam que a morte não tenha sido por motivos naturais. O professor catedrático disse ainda que em casos em que um doente morra de uma doença para a qual vinha sendo tratado, é preciso apurar o que correu mal no tratamento para que se possa evitar cometer os mesmos erros no futuro. Foi 1h 30 minutos de esclarecimentos aos alunos, sempre num tom bem-humorado e que, decerto, se repetirá.

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