terça-feira, 29 de maio de 2007
Viagem à essência do Porto
A viagem teve início às 9:30 na Universidade Fernando Pessoa. Daí partiram dez alunos sob orientação do jornalista, e durante essa manhã guia turístico, Alfredo Barbosa.
O grupo dirigiu-se para a baixa portuense com o propósito de visitar os seus locais mais emblemáticos.
O primeiro grande choque aconteceu quando os estudantes se depararam com o vazio que agora habita a Avenida dos Aliados. Os Aliados, antigamente um dos locais de maior afluência turística da cidade, passaram há bem pouco tempo por remodelações profundas, que diga-se, certamente não terão sido as mais apropriadas. O seu novo “look” esteve a cargo de Siza Vieira, um conhecidíssimo arquitecto português, mais valorizado pelas suas obras em interiores do que exteriores. Por este caso se percebe bem o porquê de tal facto.
O passeio prosseguiu, passando pela Rua de Santa Catarina, Coliseu, Praça da Batalha e acabando na Estação de S. Bento.
Durante todo o percurso se viu um triste panorama: casas abandonadas, faltas de civismo e vários exemplos de péssimo planeamento das pessoas “competentes” para governarem a cidade.
A evolução não tem obrigatoriamente de corresponder a uma total mudança do existente para algo mais moderno. A beleza e encanto do Porto encontra-se no seu aspecto envelhecido, que tal como o Vinho do Porto, com o passar dos anos fica cada vez melhor.
Infelizmente parece que essa ideia não é partilhada pelo actual executivo da câmara, que por opção ou desleixo, está a deixar a essência do Porto desvanecer-se à medida que faz obras desnecessárias e deixa outras essenciais por fazer.
Espera-se que esses senhores acordem a tempo de salvarem o que ainda resta desta bela e emblemática cidade.
terça-feira, 22 de maio de 2007
Especialista em Medicina Legal na UFP
Pinto da Costa começou a sua apresentação referindo que a Medicina Legal não se cinge à Tanatologia, ou como ele próprio apelidou «ao estudo dos mortos», acrescentando que «a Medicina Legal tem uma parte que é a Tanatologia e tem muitas outras coisas como, psicologia forense, sociologia forense psiquiatria forense, técnica laboral, toxicologia forense, criminologia, entre outros departamentos directamente ligados à Medicina Legal», destingundo Tanatologia de Tanatologia forense, que para um leigo pode parecer a mesma coisa mas não é.
Depois de explanado esse importante ponto, prosseguiu dando exemplos da utilidade da Medicina Legal no dia-a-dia e na nossa sociedade e mostrando o quão ligada esta a Medicina Legal com o Direito “ Tem utilidade em questões criminais, de paternidade, de direito civil, de direito administrativo, de direito no trabalho, ou seja, de qualquer forma que o Direito venha a seguir ou necessitar”
A palestra prosseguiu, sempre num tom descontraído, com o doutor a referir os erros mais frequentes dos jornalistas quando abordam temas relacionados com Medicina Legal, mas sem os culpar totalmente, pois segundo ele, a grande falha está em quem os informa sobre o acontecimento, visto que cada um percebe da sua área, não tendo obrigação de ter vastos conhecimentos em temas que não lhe estão directamente ligados.
O médico avançou para outro ponto em que criticou duramente Portugal em relação à Medicina Legal, sob dois aspectos que para si são bastante negativos. O primeiro factor que apontou é o facto de Portugal, em termos de medicina, se encontrar muito próximo dos países do terceiro mundo. O segundo factor criticado é o de o estado português «desperdiçar rios de dinheiro» em materiais para clínicas privadas, quando o seu grande objectivo deveria ser munir os hospitais públicos de todos os meios necessários para dar aos utentes todas as condições ideias para o seu atendimento.
Depois de ter abordado vários temas, Pinto da Costa respondeu às perguntas dos alunos presentes, sendo que esse foi o momento em que os ouvintes da palestra se mostraram mais entusiasmados, fazendo várias perguntas que achavam oportunas.
Respondendo a uma questão sobre a autorização das autópsias por parte das famílias dos falecidos, o médico elucidou os alunos dizendo-lhes que existem dois tipos de autópsias, a autópsia clínica, em que a autorização por parte da família é obrigatória, caso contrário esta não se realizará, e a autópsia médico-legal, em que os médicos possuem suspeitas sobre as causas da morte, e portanto o corpo tem de ser autopsiado para descobrirem se a morte teve causas naturais ou se foi provocada. Por vezes este último tipo de autópsia é muito útil na investigação médica, pois analisam-se pessoas que vinham a ser tratadas para combater uma determinada doença, mas que acabaram por falecer. Nessas situações os médicos devem perceber o que falhou para que tal não se repita futuramente.
A palestra dada por José Eduardo Pinto da Costa foi sem sombra de dúvida muito interessante e elucidativa, principalmente numa altura em que as séries televisivas do género de investigação médica estão tão em voga e em que ocorre tanta contra informação.
Pinto da Costa fala sobre Medicina Legal na UFP
terça-feira, 1 de maio de 2007
Folclore: Reviver usos e costumes
Vilar de Arca é uma pequena aldeia de freguesia de Piães, conselho de Cinfães do Douro, pertencente a região etnográfica do Alto Douro, com grande riqueza de tradições e costumes legados pelas anteriores gerações, a população tentou, desde sempre, conservar e enriquecer o espólito cultural e etnofolclórico da sua região. Nesta pequena aldeia, o folclore é vivido intensamente, pois todas as pessoas contribuem para o desenvolvimento da modalidade.
Assim numa pequena garagem, em Valbom, aos domingos à noite, as pessoas pertencentes ao grupo do rancho folclórico de Vilar de Arca enssaiam para a nova temporada defolclore que esta aí a porta.
O grupo e constituido por varios jovens pertencentes a região, veem o folclore como um convivio e um reencontro com o passado, onde muitos dos seus avós viveram” – os domingos a noite são sempre mortos, pelos menos assim encontramos-nos sempre e convivemos sempre...” referui, André Meneses, elemento do grupo.
O ensaiador deste Rancho Folclórico, Carlos Alves, falou sobre o que é ser do folclore quais a coisas mais importantes e o que futuro reservara em termos para o grupo.
Começou por dizer que acha que muitas das pessoas, hoje em dia ve o folclore como uma “parolice, desactualizada” e que este mundo não é nada assim. Tentou resumir-se ao seu grupo, que na qual adora e que tem gosto de os ensaiar e culturaliza-lo para um dia outras pessoas aprederam com as que estão a ser ensinadas agora. “ - Isto é retratar a vida dos nossos avós e dar felicidade a eles de nos verem a fazer o que eles faziam nos tempos difíceis que viviam” afirmou.
Retratou as musicas que eram dançadas no seu grupo, suas música que são caracterizadas pelas danças de roda, é seguramente o tipo coreográfico mais difundido na Europa e em todo o mundo. A sua simplicidade contribuiu decerto para isso: os dançadores formam uma roda, intercalando os do sexo masculino com os do feminino.
Na fórmula mais difundida, dão as mãos uns aos outros, virados para o centro do círculo, evoluindo a roda no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. De vez em quando, nas ocasiões em que a música o sugere, param e batem palmas, para de seguida retomarem o movimento circular.
Outra das sua musicas mais dançadas é a chamada contradança das danças que ainda hoje subsistem entre o nosso povo, uma das mais antigas. O seu nome original (country dance – dança campestre) revela a sua proveniência popular e inglesa. As classes altas da velha Albion desde cedo adoptaram as danças dos camponeses a que genericamente chamaram country dances, como demonstra a colectânea The English Dancing Master, de John Playford. Nessa designação englobavam os britânicos, tal como aliás ainda hoje sucede, todas as danças originárias do campo e não apenas uma delas, ou sequer um tipo.
São as principais danças, através das quais os testemunhos foram transmitidos e a recolha que ele fez verificou que as pessoas naquela aldeia dançavam este estilo de música.
Estes estilos foram deixados pelos franceses nas suas invasões a Portugal. Os franceses vinham de uma outra cultura e chegaram a Portugal e por muitas das vezes punham-se a dançar, os camponeses portugueses viam aquela dança e tentavam improvisar de tal forma que acabaram por deixar na sua cultura, para hoje ainda se puder dançar e divertir” - O tempo fez singrar estas coisas… Nessas altura aconteceu assim e nos adquirimos essas danças que eles faziam e nós copiamos. Porque o lavrador espreitava pela fechadura dos grandes salões e depois copiavam essas danças palacianas. Mas não e só isso que nos temos… nos temos muita diversidade. “
. Estas danças por vezes são nada mais, nada menos do que um teatro daquela época, pois estamos a representar. O guarda-roupa, são as peças fundamentais para quem dança. A representação da época leva por vezes a fazer “ - coisas imaginárias que nunca na vida víamo-nos a fazer “ explicou Pedro Brito um elemento do Rancho de Vilar de Arca, acrescentou ainda “- o nosso grupo é uma familia, viajamos por este Portugal fora, conhecemos novas terras, novas pessoas, é magnifico”.
Neste grupo os trajes distinguem-se em trabalho, onde são evocadas as principais actividades agrícolas a que a população se dedicava, dos de festa ou de ver a Deus, sempre elaborados com tecidos mais ricos e com maior ornamentação, destacando-se aqui o elaborado traje dos noivos, com características tão tradicionais da região.
Por fim chegou a explicar que o seu conjunto é composto por 45 elementos que se dividem pelos pares de dança, pela tocata e alguns figurantes, o grupo tem participado nas variadas festas das mais variadas regiões de Portugal continental. Também já actuou na ilha da Madeira e internacionalmente foram duas vezes ao Brasil na qual representaram orgulhosamente o país e a pequena aldeia que são origens”- Nos somos um povo do mais ou menos… nunca esta nada bem…e para o Português o que é de lá de fora é que é bom, não se passando o mesmo com os imigrantes que dão muito valor ao que é Português e pelas duas vezes que tive no Brasil fui sempre tratado com muito carinho e já dei autógrafos e muitas pessoas da plateia choravam porque vivem mesmo a nossa cultura , como se estivessem em Portugal”, o ensaiador referiu, a respeito de no Brasil as pessoas que andam no folclore são vistas como idolos.
. Esta deslocação de grande valor para o Rancho Folclore de Vilar de Arca para o Brasil, que teve ajuda da câmara de Cinfães e da Junta de freguesia de Piães, o que tornaram realidade para o grupo a primeira deslocação fora do país, “ - tenho de agradecer a câmara municipal de Cinfães e junta de freguesia pelos apoios que nos deram para puder fazer estas duas viagens de valor para a região e que sem essa ajuda não era possível” disse Belmiro Pereira o “ patrão” do Rancho Folclórico de Vilar de Arca.
Os grupos de folclores normalmente são convidados para os festivais, ganham nome e prestigio para depois puderem ser reconhecidos nacionalmente e puderem viajar pelo país fora.
Uma das questões que o ensaiador, Carlos Alves pude não responder, foi qual seria o futuro do folclore, “- Pergunta mais complicada de responder… porque como costume dizer é uma faca de dois bicos… porque eu olho para o folclore hoje em dia e este tem muita adesão pelos jovens e este é preenchido no folclore por 60 ou 70%... é uma faca de dois bicos porque muitos jovens estão interessados, a fazerem coisas cada vez melhores a defenderem-se bem da crise mas se é de futuro? Não sei bem. Nos representamos algo que se passou à cento e poucos anos e eu falo por mim temos imensas recolhas para perceber o que se fazia antigamente mas essas consultas estão acabar porque nos perguntávamos as pessoas mais idosas o que elas sabiam e essas pessoas estão a desaparecer. As nossas fontes vão se acabar e há muita motivação mas se calhar vai acabar porque já não há mais nada para recolher. Esta pergunta é dirigida aos presidentes do folclore que é o que se vai passar com o folclore, como é que eles vão contornar esta dificuldade”.
Este grupo de folclore faz este ano 20 anos e o ensaiador vai promover naquela pequena região um mês cultural onde as pessoas podem divertir-se e assistir um bom Folclore e a bandas convidadas que vão para animar os fins-de-semana para aquelas pessoas, que a semana passam no campo sempre a trabalhar.
O folclore é por certo uma cultural que nunca pode ser perdida, pois fará sempre parte do nosso país e do nosso passado, infelizes daqueles que dão o folclore desusado e morto. Folclore igual alegria e convívio.
