No dia 3 de Maio, o doutor e professor catedrático, José Eduardo Pinto da Costa deslocou-se à Universidade Fernando Pessoa, a convite da Professora Rosa Sampaio, a fim de dar uma palestra sobre Medicina Legal. No final do seu discurso, o doutor Pinto da Costa deu a possibilidade aos vários alunos presentes de colocarem as questões que achassem pertinentes.
Pinto da Costa começou a sua apresentação referindo que a Medicina Legal não se cinge à Tanatologia, ou como ele próprio apelidou «ao estudo dos mortos», acrescentando que «a Medicina Legal tem uma parte que é a Tanatologia e tem muitas outras coisas como, psicologia forense, sociologia forense psiquiatria forense, técnica laboral, toxicologia forense, criminologia, entre outros departamentos directamente ligados à Medicina Legal», destingundo Tanatologia de Tanatologia forense, que para um leigo pode parecer a mesma coisa mas não é.
Depois de explanado esse importante ponto, prosseguiu dando exemplos da utilidade da Medicina Legal no dia-a-dia e na nossa sociedade e mostrando o quão ligada esta a Medicina Legal com o Direito “ Tem utilidade em questões criminais, de paternidade, de direito civil, de direito administrativo, de direito no trabalho, ou seja, de qualquer forma que o Direito venha a seguir ou necessitar”
A palestra prosseguiu, sempre num tom descontraído, com o doutor a referir os erros mais frequentes dos jornalistas quando abordam temas relacionados com Medicina Legal, mas sem os culpar totalmente, pois segundo ele, a grande falha está em quem os informa sobre o acontecimento, visto que cada um percebe da sua área, não tendo obrigação de ter vastos conhecimentos em temas que não lhe estão directamente ligados.
O médico avançou para outro ponto em que criticou duramente Portugal em relação à Medicina Legal, sob dois aspectos que para si são bastante negativos. O primeiro factor que apontou é o facto de Portugal, em termos de medicina, se encontrar muito próximo dos países do terceiro mundo. O segundo factor criticado é o de o estado português «desperdiçar rios de dinheiro» em materiais para clínicas privadas, quando o seu grande objectivo deveria ser munir os hospitais públicos de todos os meios necessários para dar aos utentes todas as condições ideias para o seu atendimento.
Depois de ter abordado vários temas, Pinto da Costa respondeu às perguntas dos alunos presentes, sendo que esse foi o momento em que os ouvintes da palestra se mostraram mais entusiasmados, fazendo várias perguntas que achavam oportunas.
Respondendo a uma questão sobre a autorização das autópsias por parte das famílias dos falecidos, o médico elucidou os alunos dizendo-lhes que existem dois tipos de autópsias, a autópsia clínica, em que a autorização por parte da família é obrigatória, caso contrário esta não se realizará, e a autópsia médico-legal, em que os médicos possuem suspeitas sobre as causas da morte, e portanto o corpo tem de ser autopsiado para descobrirem se a morte teve causas naturais ou se foi provocada. Por vezes este último tipo de autópsia é muito útil na investigação médica, pois analisam-se pessoas que vinham a ser tratadas para combater uma determinada doença, mas que acabaram por falecer. Nessas situações os médicos devem perceber o que falhou para que tal não se repita futuramente.
A palestra dada por José Eduardo Pinto da Costa foi sem sombra de dúvida muito interessante e elucidativa, principalmente numa altura em que as séries televisivas do género de investigação médica estão tão em voga e em que ocorre tanta contra informação.
terça-feira, 22 de maio de 2007
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